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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Governo de Goiás propõe a criação de três parques no Cerrado

(Brasília- DF) - O governo de Goiás inicia na próxima terça-feira (23) uma série consultas públicas para discutir a criação de três novos parques em áreas do Cerrado, no nordeste de Goiás: São Bartolomeu, Serra da Prata e Rio São Félix. As audiências serão realizadas pela Secretaria de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Estado de Goiás (Semarh), com a assessoria da Fundação Pró-Natureza (Funatura), nos municípios goianos de Nova Roma, Alto Paraíso, Monte Alegre e Cavalcante.




As propostas foram elaboradas pelo governo levando em conta o estudo de Áreas Prioritárias para a Conservação no Estado de Goiás, elaborado WWF-Brasil e parceiros, em 2004. Financiado pelo Banco Mundial, o projeto forneceu subsídios técnicos para que o estado possa cumprir o seu compromisso com o Banco de duplicar a sua área em unidades de conservação de maneira eficiente e representativa. A análise identificou 40 regiões prioritárias para a criação de novas unidades.



“A conservação de remanescentes naturais e de alvos específicos é fundamental para a manutenção de biomas tão ameaçados como o Cerrado. Por isso, a iniciativa de Goiás é muito positiva, pois irá proporcionar um aumento das áreas protegidas no Cerrado”, destaca a secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito.



Além disso, de acordo com ela, irá contribuir para que o Governo brasileiro alcance as suas metas de conservação de parcelas representativas de todos os biomas do país. “Metas essas que foram estabelecidas de acordo com os compromissos firmados pelo Brasil na Convenção sobre Biodiversidade Biológica, das Nações Unidas”, destaca.



Considerado a “caixa d´água do Brasil” - pelo fato de abastecer grandes aquíferos e bacias hidrográficas do país - o Cerrado conta com apenas 3% de sua área protegida por Unidades de Conservação (UCs). O bioma já perdeu metade de sua vegetação natural e o restante está muito fragmentado, tendo 40% de sua área ocupada pela agropecuária.



Segundo informações da Funatura, essa região no nordeste de Goiás onde os parques estão sendo propostos abriga os maiores remanescentes naturais de várias formações únicas do Cerrado, algumas entre as mais ameaçadas de desaparecimento da natureza. O conjunto dos três parques abrange desde os campos rupestres de altitude, cerrados, cerradões e a mata seca do vale do rio Paranã.



Todos esses ecossistemas possuem espécies únicas, que só existem ali, algumas ainda sendo descritas pela Ciência. Nessa região também estão as cabeceiras de rios que formam a bacia do rio Tocantins, cujas águas abastecem as cidades e são utilizadas nas atividades agropecuárias.



Além da conservação dos recursos naturais, a categoria parque ecológico possibilita a expansão e consolidação do turismo de aventura e do ecoturismo. Esse componente é muito importante para a economia local, uma vez que essa região do nordeste do Estado possui alguns dos municípios de maior carência econômica e social. E o turismo ligado à natureza pode se tornar uma opção de renda para a população.



De acordo com Maria Cecília, a criação dos parques é um exemplo de visão de planejamento governamental que busca conciliar o desenvolvimento econômico à proteção da biodiversidade e dos ecossistemas. “Esperamos que as consultas públicas alcancem o resultado proposto e os parques sejam criados e implementadas. O Cerrado precisa muito dessas áreas para manter a sua biodiversidade e continuar nos oferecendo serviços ecológicos essenciais, como a água”, destaca.



Apoio à gestão de UCs



O WWF-Brasil sempre estimulou as políticas públicas voltadas para a criação e implementação de áreas protegidas nos biomas que atua, com destaque para o Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), apoiado pela ONG desde 2002. Outra ferramenta disponibilizada é o Observatório de Unidades de Conservação. Lançado há um ano, o site reúne, em um único local, dados essenciais para o conhecimento, monitoramento e avaliação das Unidades de Conservação (UCs) no Brasil.



A organização também apoia a melhoria da gestão das UCs. Um dos trabalhos realizados nesse sentido é a aplicação do Rappam, Método para a Avaliação Rápida e Priorização da Gestão de Unidades de Conservação (Rapid Assessment and Priorization of Protected Area Management, em inglês).



A metodologia - construída pela Rede WWF - tem objetivo contribuir para o desenvolvimento de políticas adequadas à proteção de sistemas naturais e para o fortalecimento das áreas protegidas. O WWF-Brasil aplicou e publicou os resultados da avaliação de mais de 470 UCs no país e está finalizando a publicação do Rappam de Goiás.



O analista de Conservação do programa Cerrado Pantanal, do WWF-Brasil, Júlio César Sampaio, vê na criação dos parques um desdobramento muito positivo desse trabalho realizado em Goiás, com o estudo das áreas prioritárias e o Rappam. “Esses estudos são ferramentas importantes porque ajudam o estado a planejar e a melhorar o seu sistema de Unidades de Unidades de Conservação e, consequentemente, a ampliar a conservação do Cerrado”, afirma.



Cronograma de realização das consultas públicas em Goiás



1) Parque Estadual São Bartolomeu -Área nos municípios de Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e Nova Roma:

23 de abril de 2013 – de 14 às 18h - Nova Roma – Câmara Municipal de Vereadores

26 de abril de 2013 – de 14 às 18h - Alto Paraíso de Goiás – Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB)

2) Parque Estadual Serra da Prata - Área no município de Monte Alegre de Goiás

24 de abril de 2013 – de 14 às 18h - Monte Alegre de Goiás – Centro Social de Múltiplo Uso

3) Parque Estadual Rio São Félix - Área no município de Cavalcante

25 de abril de 2013 – de 14 às 18h - Cavalcante - Câmara Municipal de Cavalcante



Os documentos referentes à proposta de criação dos parques estaduais estão disponíveis para consulta no portal da Funatura - www.funatura.org.br (versão digital). A versão impressa pode ser obtida na Superintendência de Unidades de Conservação/Gerência de Áreas Protegidas da Semarh – 11ª Avenida, no 1.272, Setor Leste Universitário, Goiânia – Goiás, e nas prefeituras municipais.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Parque mexicano entra no Guinness por recorde na produção de araras

arara 300x216 Parque mexicano entra no Guinness por recorde na produção de araras
O parque mexicano Xcaret, localizado em Cancun, entrou pela segunda vez no Guinness. Em 2009 a instituição bateu o recorde de produção de araras e o feito foi repetido em 2012. Durante todo o ano, o parque registrou o nascimento de 132 araras vermelhas.
Em declaração à imprensa local, o presidente do Xcaret, Miguel Quintana, explicou que essa é a concretização de um sonho que se iniciou há 25 anos de retirar as araras vermelhas da lista dos animais ameaçados de extinção.
Durante seu discurso, Quintana lembrou que o trabalho foi iniciado com apenas um casal de araras e que a meta era chegar ao número cem. Em 1994 nasceram as primeiras seis aves e cinco anos depois, com uma técnica mais aperfeiçoada, nasceram 20 araras em um ano.
O trabalho tem sido tão bem sucedido, que a proposta é aprimorar a reprodução, mas não manter os animais em cativeiro. A pequena quantidade de araras vermelhas no México e América Central – menor que 400 exemplares, incentivou o trabalho de procriação para a espécie que a espécie volte ao seu habitat natural.
As aves começaram a ser devolvidas à natureza na última semana, com a introdução de 20 exemplares na selva de Palenque. Em três meses os responsáveis pelo trabalho pretendem ter mais 28 no programa de introdução.
A quantidade de aves alcançada pelo projeto permitiu que os mexicanos passassem a sonhar mais alto. O objetivo para o próximo ano é conseguir gerar 500 novas araras.
* Com informações do La Crónica.
** Publicado originalmente no site CicloVivo.
Fonte: Envolverde

sexta-feira, 22 de março de 2013

Comunidade tradicional sofre com a degradação ambiental


Pescadores artesanais de Florianópolis são vítimas de projetos mal planejados e do descaso do poder público, em mais um exemplo da desvalorização da rica cultura dos povos tradicionais no Brasil



Em nosso país, onde tudo o que é internacional é extremamente valorizado, cada vez fica mais difícil de encontrar as raízes das culturas tradicionais que construíram a imagem da nação.

De norte a sul, indígenas e pequenas comunidades locais são massacrados pela ganância do agronegócio e pela inconsequência do crescimento desenfreado, sofrendo com a falta de planejamento e com o desrespeito aos seus simples modos de viver.
É o caso dos pescadores da comunidade de Ratones, na Ilha de Santa Catarina. Forçados a abandonar a pesca como única atividade, hoje eles não encontram mais peixes nem mesmo para o consumo próprio.

Assim como em muitos locais da Ilha, o Rio Ratones sofreu uma série de modificações ao longo dos últimos cinquenta anos. A retificação e a construção de duas pontes (foto) com comportas mudaram definitivamente a dinâmica do rio, que antes chegava a fornecer até 30 quilos por dia de camarão – hoje não passa de um, lamentam os pescadores.

Sem o fluxo que tinha antigamente, o leito do rio está assoreando, com bancos de areia e camadas de matéria orgânica tornando a sua navegação com embarcações de pequeno porte uma tarefa que demanda extrema atenção e força – pois muitos pontos exigem o uso apenas do remo.
A quantidade de matéria orgânica na água parada é um dos principais motivos para a queda na pesca do camarão, apontam os pescadores. A construção das comportas é outro elemento crítico.
“Antes das comportas muitas pessoas viviam da pesca e da roça, a alimentação era tirada do rio, hoje não tem mais”, lamentou Valmir Euclides, vice-presidente da Associação dos Pescadores do Rio Ratones.
Sem considerar a tradicional atividade de pesca na região, as comportas foram instaladas e barraram a passagem dos peixes maiores rio acima. Onde antes se pescavam cardumes de tainha, hoje apenas se encontram juvenis.
“Nós temos consciência de que não podemos pescar esses peixes pequenos, o pescador sabe que para se ter o adulto, precisa preservar os jovens”, coloca Euclides.
"Aqui era rico em robalo", comentou Orlando Domingos Silva, presidente da Associação de Pesca do Ratones.
Outro conflito na área é que na jusante do rio, a partir das comportas, onde se encontram os peixes adultos, foi criada a Estação Ecológica Carijós (ESEC). Sendo uma Unidade de Conservação de proteção integral, não se pode pescar na ESEC, e os pescadores têm plena consciência da sua importância.
Na área do rio em que é permitida a pesca, fora dos limites da ESEC, para a circulação da água o principal problema foi a retificação do canal, e para os peixes, o que impede a sua subida são as comportas,  explica Orlando.
Uma das comportas chegou a ter as suas portas removidas, porém a laje de concreto permanece barrando os peixes adultos. Antes da retirada destas portas, entre a década de 1960 e 1990, o manguezal definhava rio acima já que a água salgada era barrada no momento da subida da maré.

"Todo esse manguezal, quando fizeram as comportas, nós perdemos, eu conheci isso aqui um mar de lama por que toda a vegetação de água salobra morreu. Com a retirada das comportas, começou a circular água salobra de novo e voltou essa paisagem", comentou Orlando.

“Faz uns dez anos, se não tirasse a comporta não existia manguezal lá em cima hoje, nem peixe, porque era água doce pura, estaria mais assoreado ainda”, ressaltou Euclides.
A luta da Associação de Pesca do Ratones há quase vinte anos é que o rio seja revitalizado, com a remoção das comportas e a retomada do seu curso natural. Na sexta-feira (20), a associação realizará um evento, chamando diferentes esferas do poder público para tomar conhecimento da situação e agir.
Apesar de todos os problemas, a riqueza da região salta aos olhos de quem está acostumado a andar nas praias de Florianópolis, em sua maioria intensamente impactadas pela especulação imobiliária.
O manguezal do Ratones, incluído em parte na ESEC, tem um porte e uma riqueza surpreendentes. Garça-moura, águia-pescadora, martim-pescador, gavião-pega-macaco, lontra, jacaré-de-papo-amarelo, caranguejos e ostras são apenas alguns exemplos dos tesouros desse local.
No caso do Ratones, assim como em milhares de outros ao redor do país, a dura empreitada dos pescadores enfrenta o descaso do poder público, que ignora o suplício dos povos tradicionais.
Além de contribuírem para a preservação dos ecossistemas e da cultura local – especialmente quando têm apoio do poder público –, essas populações mostram que se respeitados os seus direitos e os recursos dos quais dependem, é possível viver de forma simples.
Dependendo dos recursos que o ambiente lhes oferece, essas populações, que têm uma visão ímpar e coletiva da vida – longe do individualismo e materialismo despropositado de grande parte da população –, são forçadas a se deslocar para as cidades.
A busca por alternativas os distancia completamente do modo autossustentável de sobrevivência que esses povos costumavam ter. Uma perda tanto para eles quanto para a sociedade, que apaga cada vez mais a sua história e esquece sua cultura e seus valores.
O local paradisíaco que muitos brasileiros sonham em conhecer e habitar há muito perdeu o jeito simples de conviver com a riqueza natural que o cerca.

Fotos: Fabrício Basílio 


Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br

quinta-feira, 21 de março de 2013

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica aperfeiçoa o seu Protocolo de Monitoramento de Projetos de Restauração


O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, movimento coletivo de organizações de diversos setores engajados em iniciativas de restauração no bioma, realizou nos dias 14 e 15 de março, em Campinas-SP, a 2a Oficina sobre Protocolo de Monitoramento de Programas e Projetos de Restauração, que teve como objetivo o aperfeiçoamento do Protocolo de Monitoramento elaborado pelo PACTO em fevereiro de 2011. Para a coordenação dos trabalhos, o encontro contou com os Grupos de Trabalho Técnico-Científico e de Economia da Restauração, liderados por Ricardo Rodrigues e Bernardo Strassburg, respectivamente.
Nesse ano, o encontro reuniu representantes de 27 organizações membros do PACTO e outros convidados que aplicaram o Protocolo do PACTO em campo nos últimos dois anos.  Foi a oportunidade para apresentarem as experiências de aplicação do Protocolo de Monitoramento do PACTO e expor as dificuldades e vantagens do mesmo para o sucesso das suas estratégias de restauração.
Além de aperfeiçoar o documento de referencia para ações de monitoramento das iniciativas de restauração, a reunião também tratou de definir indicadores que sirvam para cálculo inicial de estimativas de biomassa e de carbono estocado em áreas de restauração. Para isso, foi realizado um encontro preparatório no dia 12 de março, que contou com a Coordenação do GT Técnico-Científico do PACTO, além de especialistas em projetos de carbono florestal, para a discussão e definição de uma estratégia que seja útil para os membros do PACTO e para subsidiar políticas públicas que orientem o desenvolvimento de um mercado de serviços associado ao sequestro de carbono via projetos de recuperação.
De modo geral, durante os 2 dias os grupos trabalharam no aperfeiçoamento do Protocolo tendo em vista, basicamente três premissas:
- O documento deve ser simplificado para facilitar a adoção do mesmo por um numero cada vez maior de instituições;
- Deve servir tanto para monitorar / orientar as ações de manejo das áreas em recuperação como para o monitoramento do sucesso da restauração em seus projetos;
- A utilização do Protocolo de Monitoramento deve propiciar ao usuário a possibilidade de orientar correções / ajustes desde a fase inicial do projeto, de forma a aumentar as chances de sucesso e reduzir seus custos.
Como resultado, deverá ser elaborado um documento bem mais aplicável em campo e útil para as organizações que o adotarem em seus projetos, uma vez que permitirá mostrar aos executores as ações corretivas capazes de aumentar o sucesso de seu projeto em função de indicadores simples e de fácil verificação e coleta. Além disso, permitirá também gerar estimativas sobre carbono (não comercializável) armazenável a partir de projetos de restauração florestal.
Os próximos passos são realizar as adaptações e revisões do novo documento e preparar o seu lançamento e divulgação para os membros do PACTO e para toda a sociedade.
Esta iniciativa foi uma realização do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e teve o apoio do Projeto Proteção da Mata Atlântica II (Ministério do Meio Ambiente, GIZ, KfW - por intermédio do Funbio) e também da Veracel Celulose e The Nature Conservancy.
Instituições participantes: Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Ministério do Meio Ambiente, Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologias Espaciais – FUNCATE, , Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Instituto de Estadual de Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo – IEMA-ES, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal – LERF/ESALQ-USP, Laboratório de Silvicultura Tropical - LASTROP / ESALQ-USP, Laboratório de Reprodução e Genética de Espécies Arbóreas LARGEA/ESALQ-USP, Universidade Federal do Paraná - UFPR, Universidade Federal de São Carlos – UFSCar-Araras, Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste - CEPAN, Conservação Internacional – CI-BRASIL,– ONG Natureza Bela, Associação Ambientalista Copaíba, , Instituto Floresta Viva, Organização Patrimonial Turística Ambiental, Instituto Internacional para a Sustentabilidade, Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPE, Associação de Programas e Tecnologias Alternativas, The Nature Conservany e, Empresa Arcplan, Empresa Veracel, Empresa Fibria, Empresa Bioflora.


Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br

sexta-feira, 8 de março de 2013

Enriquecer cobertura florestal pode manter qualidade da água


A presença de cobertura florestal é essencial para a manutenção da qualidade da água dos corpos d’água em regiões com atividade agrícola e pecuária. Ao mesmo tempo, a recuperação e o enriquecimento das florestas já existentes pode proporcionar uma resposta mais rápida para a proteção das águas superficiais. As constatações são de uma pesquisa da engenheira Carla Cristina Cassiano realizada no Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. 
O estudo foi dividido em duas partes. A primeira buscou avaliar as condições da vegetação florestal na área de estudo e o seu potencial na prestação de serviços, e a segunda parte mensurou o efeito desta vegetação em parâmetros físico-químicos da água. “As unidades de estudo foram definidas na bacia do rio Corumbataí (interior de São Paulo), a partir do mapeamento do uso do solo do ano de 2000 pelo método de amostragem adaptativa, onde as unidades deveriam apresentar um mínimo de 70% de matriz e 10% de cobertura florestal”, explica Carla. ”Foram selecionadas seis unidades de 16 quilômetros quadrados (km2), três unidades com matriz de pasto e três unidades com matriz de cana-de-açúcar”.
Com as unidades definidas foram realizados os mapeamentos por fotointerpretação para cinco datas (1962, 1978,1995, 2000 e 2008) e, a partir desse mapeamento, foi possível calcular as mudanças do uso do solo e índices para os fragmentos florestais que identificaram sua trajetória. “A pesquisa propôs uma metodologia para caracterizar o potencial de proteção dos recursos hídricos pelas florestas a partir da estrutura e dinâmica da paisagem, permitindo a diferenciação da vegetação florestal de acordo com o seu histórico, localização e características do terreno”, aponta o professor Silvio Frosini de Barros Ferraz, que orientou a pesquisa.
 
Vegetação florestal
 
Segundo a autora do trabalho, os resultados mostraram que a vegetação florestal na área de estudo tem aumentado nos últimos anos, dando indícios ao inicio de uma fase de regeneração, conhecida como a segunda fase da transição florestal, porém apenas estudos futuros poderão confirmar essa análise. “No entanto, a paisagem apresentou uma baixa cobertura florestal, de aproximadamente 16% da área de estudo, com muitos fragmentos pequenos, geralmente próximos a cursos d’água de primeira ordem. Das florestas existentes, apenas um terço estaria exercendo seu potencial pleno de conservação das águas”, conta. 
De acordo com o orientador do estudo, quando pensamos em aumentar a proteção dos recursos hídricos pela vegetação florestal é interessante se atentar para a recuperação dos fragmentos florestais já presentes na paisagem. “Muitas vezes é dada uma importância maior ao plantio de novas áreas, do que ao enriquecimento das já existentes. Plantios novos levarão mais tempo para se estabelecer e se desenvolver enquanto a recuperação dos fragmentos poderá apresentar uma resposta mais rápida para o aumento e a permanência dessa vegetação florestal na paisagem e consequentemente para oferta de serviços ecossistêmicos”, conclui Ferraz. 
A conversão de florestas em usos antrópicos tende a reduzir a qualidade da água, devido ao aporte de nutrientes e sedimentos provenientes da movimentação e manejo do solo. “As florestas se apresentam como a melhor cobertura do solo para a manutenção da qualidade natural das águas superficiais, proporcionando serviços ecossistêmicos de regulação e provisão desse recurso”, aponta Carla. Em contrapartida, segundo a pesquisadora, “a presença de vegetação florestal na área ripária pode reduzir esses efeitos, através da prestação de alguns serviços de proteção dos corpos d’água”. 
Com o objetivo de detectar a influência da mata ciliar na composição físico-química da água em microbacias agrícolas, a engenheira florestal desenvolveu, no programa de Pós-graduação em Recursos Florestais da Esalq um trabalho de avaliação da cobertura florestal sua relação com os recursos hídricos. A proposta está inserida no projeto “Avaliação multi-escala de impactos ambientais em paisagem fragmentada agrícola” coordenado pela professora Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, do LCF, que busca avaliar os impactos na fauna, na flora e na água resultantes da ocupação e uso do solo na área rural. O professor Silvio Frosini de Barros Ferraz, também do LCF, orientou a pesquisa, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Amazônia terá torre científica de 320 m no fim do ano, prevê diretor de projeto


Torre será maior que Eiffel, na França, afirma dirigente do programa ATTO.
Objetivo é estudar atmosfera, chuvas e ecologia da floresta, entre outros.

Uma torre de 320 metros de altura para pesquisas científicas deve ser instalada na Amazônia em dezembro deste ano, conforme previsão feita ao G1 pelo coordenador brasileiro do projeto, Antonio Ocimar Manzi, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Batizado de Observatório Amazônico com Torre Alta (ATTO, na sigla em inglês), o projeto é uma cooperação entre os governos do Brasil e da Alemanha, e terá investimento inicial de R$ 22 milhões, diz o dirigente. Dessa verba, R$ 10 milhões virão do Ministério da Ciência e Tecnologia brasileiro, R$ 10 milhões do governo alemão e R$ 2 milhões do governo do estado do Amazonas.
Torre usada para pesquisas científicas na Amazônia; nova estrutura terá 320 metros, maior do que a Torre Eiffel, na França (Foto: Divulgação/ATTO)Torre usada para pesquisas científicas na Amazônia; nova estrutura de ser parecida e vai ter 320 metros de altura, maior do que a Torre Eiffel, na França (Foto: Divulgação/ATTO)
"É um projeto de longo prazo para o monitoramento da Amazônia", ressalta Manzi. A logística de preparação do programa é complexa, e o prazo será mantido se não ocorrerem atrasos, diz o professor de física atmosférica da USP, Paulo Artaxo, que também participa do ATTO.
Torre Eiffel
A estrutura vai ser ligeiramente mais alta que a Torre Eiffel, símbolo de Paris, na França, diz o professor da USP. Ele ressalta, no entanto, que as duas torres têm finalidades muito distintas. A que vai ser montada na Amazônia ajudará a estudar a composição química da atmosfera sobre a floresta, principalmente sobre os níveis de CO2, além de elementos como nitrogênio e fósforo, ressalta Manzi.

Além da torre de 320 metros, serão construídas quatro torres auxiliares, em formato de cruz, a cerca de 100 metros de distância da estrutura principal. Elas terão 80 metros de altura, de acordo com Artaxo.Algumas linhas de pesquisa vão envolver também a formação de nuvens e o regime de chuvas na Amazônia; a troca de matéria e energia entre a biosfera e a atmosfera na área da floresta; estudos sobre ecologia, como a vegetação da mata, os nutrientes e composição do solo, entre outros temas.
Quanto mais alto, melhor
Já existem outras torres de pesquisa construídas na Amazônia, com tamanhos menores - de 65 a 85 metros de altura, aproximadamente. Uma delas tem 82 metros e está gerando dados científicos desde janeiro do ano passado, segundo o coordenador do ATTO. "Quanto mais alto medirmos, mais a gente vai saber o que o vento está trazendo. Virão contribuições [em termos de dados sobre a atmosfera, por exemplo] de distâncias maiores", diz Manzi.
Torre de 82 metros na Amazônia que está gerando dados científicos desde janeiro de 2012, segundo Manzi (Foto: Divulgação/ATTO)Torre de 82 metros na Amazônia que está gerando
dados científicos desde janeiro de 2012, segundo
Manzi (Foto: Divulgação/ATTO)
Artaxo pondera que o "footprint" da torre de 320 metros, isto é, a capacidade de medir dados originários de longas distâncias, vai ser de cerca de 1.000 km, dependendo da velocidade do vento.
Pelo menos 30 anos
As torres do ATTO estão sendo instaladas em uma área da floresta amazônica a 150 km a nordeste de Manaus, seguindo uma linha reta, diz o coordenador do programa. "Este é um projeto de pelo menos 30 anos de duração", afirma ele.
Na avaliação de Manzi, a torre é uma das maiores do mundo entre as construídas especificamente para fins científicos.
Um programa similar ao ATTO, com objetivo de fazer monitoramento meteorológico, está sendo realizado na Sibéria já há alguns anos - uma torre de 300 metros de altura foi instalada na região do pequeno povoado de Zotino, que fica a cerca de 3 mil km da capital da Rússia, Moscou, também em parceria com a Alemanha.
Mas o projeto brasileiro, do ponto de vista científico, "vai ser mais completo", diz Manzi. Ele considera que o ATTO vai se tornar referência mundial em pesquisas sobre florestas tropicais, já que não há programa igual sendo executado neste tipo de ecossistema.


Torre de monitoramento meteorológico instalada na Sibéria (Foto: Divulgação/ATTO)Torre de monitoramento meteorológico instalada na Sibéria (Foto: Divulgação/ATTO)
Fonte: http://g1.globo.com

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Índios decidem combater extração ilegal de madeira no Maranhão e pedem presença da PF

madeira2 Índios decidem combater extração ilegal de madeira no Maranhão e pedem presença da PF
Índios Pukobjê-Gavião da Terra Indígena Governador, em Amarante (MA),  apreenderam, na semana passada, quatro caminhões e um trator que transportavam cerca de 20 metros cúbicos de ipê e de sapucaia derrubados por madeireiros que atuavam irregularmente no interior da terra indígena, localizada a cerca de 110 quilômetros de Imperatriz. Com medo de represálias dos madeireiros, os índios pedem a presença da Polícia Federal na reserva indígena.
A apreensão provocou revolta de moradores da cidade e continua gerando medo entre os índios, que, mesmo assim, prometem agir para impedir que os madeireiros continuem agindo impunemente no interior da terra indígena. “Estava demais. Eles estavam se aproximando cada vez mais das nossas aldeias, nos desrespeitando e levando nossas árvores”, disse à Agência Brasil, por telefone, Ubirajara Guará, cacique da Aldeia Nova, uma das três existentes no interior da reserva.
Os Pukobjê-Gavião temem que, sem a presença da Polícia Federal (PF) na área, os madeireiros prejudicados pela iniciativa indígena cumpram os boatos que tem corrido na cidade. “Andam dizendo que madeireiros prometeram pegar um por um os líderes das três aldeias. Isso quem disse foram as pessoas de fora da aldeia com quem temos contato. Tememos que aconteça algo como o que já ocorre em várias partes do país, onde índios são mortos. Por isso pedimos a presença da Polícia Federal”, disse o cacique.
Ubirajara afirma que ao menos um índio foi agredido durante os tumultos ocorridos em Amarante na semana passada e que, esta semana, desconhecidos sabotaram o fornecimento de energia elétrica para a Aldeia Nova e espalharam tábuas com pregos na estrada próxima à entrada da Aldeia Governador. Além disso, alguns comerciantes deixaram de atender aos índios.
Inicialmente, nem os próprios policiais federais e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) escaparam de ser alvo dos protestos de pessoas contrárias à iniciativa indígena. Procurada, a assessoria da PF revelou que uma das viaturas policiais foi atingida por dois tiros durante os protestos da semana passada.
O gerente executivo substituto do Ibama em Imperatriz, Felippe Dias Lucas, disse à Agência Brasil que ele e outro fiscal ambiental, além de seis policiais federais, foram impedidos, por falta de segurança, de levar para Imperatriz (MA) os caminhões e o trator apreendidos pelos índios, tendo que permanecer na aldeia até que policiais militares deslocados de cidades próximas chegassem à Amarante. Segundo Lucas, ao menos 60 pessoas participavam dos protestos e muitas estavam visivelmente alcoolizadas.
“Fomos acionados pelos próprios índios e chegamos à aldeia por volta do meio-dia do dia 15. Só então soubemos da manifestação na cidade e que populares, provavelmente incitados por madeireiros, tinham feito uma barreira na estrada que liga a aldeia ao município. O delegado federal tentou negociar com alguns manifestantes o fim do bloqueio, mas como não obteve sucesso, tivemos que permanecer na aldeia até a madrugada do dia seguinte, quando chegou reforço policial e o número de manifestantes diminuiu”, disse o gerente executivo a Agência Brasil.
Após essa primeira tentativa, as autoridades retornaram a Amarante na madrugada de quinta-feira (17). Dessa vez o grupo era formado por 16 agentes federais, 30 policiais militares e servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai). Segundo a assessoria da PF em Imperatriz, o aparato policial serviu para coibir novos protestos e o grupo, enfim, conseguiu transferir os veículos apreendidos para o pátio da Funai, em Imperatriz. Já a madeira extraída ilegalmente permanece na aldeia, à espera de que o Ibama conclua o processo de apreensão.
Esta não é a primeira vez que algo parecido ocorre em Amarante. Em 2010, homens armados invadiram a aldeia Rubiácea, na mesma Terra Indígena Governador, para tentar recuperar três caminhões carregados de madeira ilegal apreendidos durante a Operação Arco de Fogo, do Ibama.
“Naquela e em outra regiões do estado há poucas áreas com potencial para fornecer madeira legalmente. Isso faz com que a pressão sobre as terras indígenas e outras áreas de proteção ambiental seja muito grande. Além disso, a Terra Indígena Governador é um alvo fácil, já que fica muito próxima a Amarante”, explica Lucas.
Para o missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Maranhã, os órgãos responsáveis, sobretudo a Funai, não está conseguindo dar uma resposta satisfatória aos problemas da Terra Indígena Governador. “Daí os próprios índios estarem tomando suas medidas. Só que, com isso, a tensão tem crescido e o clima de animosidade de parte da população contra a comunidade está crescendo”.
Ubirajara disse que como as autoridades dificilmente conseguiam flagrar a extração ilegal de madeira na terra indígena, os Pukobjê-Gavião decidiram criar grupos para vigiar a área. “Nossa impressão é que os madeireiros eram avisados da operação e, por isso, os governos gastavam um dinheirão e nunca pegavam ninguém. Por isso montamos nossa própria estratégia. Não temos poder para prender ou multar ninguém, mas podemos apreender o material de quem está acostumado a ganhar dinheiro fácil desrespeitando nossa terra e comunicar as autoridades”.
Para evitar retaliações, a comunidade está limitando o acesso de pessoas estranhas ao interior da reserva, interrompendo após as 18 horas o tráfego de veículos pela estrada que corta a terra indígena e que liga Amarante a Campo Formoso. De acordo com o cacique, a passagem só é permitida à ambulâncias e em casos de emergência.
Questionada sobre o assunto, a assessoria da PF informou que a delegacia de Imperatriz tem apenas 22 agentes, um efetivo pequeno para viabilizar operações permanentes no interior da reserva indígena. A PF assegurou ainda que, sempre que acionada ou necessário, realiza ações pontuais, mas que não há, por enquanto, nenhum plano sendo discutido em função do medo dos índios de sofrerem represálias.
Fonte: http://envolverde.com.br

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Transposição do rio São Francisco é perpetuação da seca local, diz livro


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Transposição do Rio São Francisco já prejudicou a pesca dos ribeirinhosFoto: minplanpac

O tom do livro Conservação da Natureza – e eu com isso? (Fundação Brasil Cidadão), organizado pelo presidente da Rema (Rede Marinho-costeira e Hídrica do Brasil), José Truda Palazzo Jr., é de forte crítica.
Na obra, apoiada pela Fundação Avina, a eficiência da gestão das Unidades de Conservação brasileiras é questionada, a valorização da visão econômica da natureza é repreendida e a transposição do Rio São Francisco é anunciada como uma "perpetuação da indústria da seca na região".
"Não são necessidades legítimas de desenvolvimento que pressionam pela destruição de nossos ecossistemas remanescentes e sua biodiversidade, mas sim políticas públicas pensadas para beneficiar determinados setores muito específicos da economia – sobressaindo aí as empreiteiras, os latifúndios, a mineração (incluindo o ufanismo histérico do petróleo) e a pesca industrial", afirma Truda Jr., logo no início da apresentação.
Apesar do aumento exponencial das Unidades de Conservação (UCs), a engenheira agrônoma Maria Tereza Pádua ressalta que a constante falta de recursos financeiros e humanos demonstram a fragilidade do sistema como um todo.
“De todas as categorias a mais inútil para a preservação da biodiversidade é a conhecida como Área de Proteção Ambiental (APA). É só se visitar a maioria das APAs que o país possui, onde prevalece a devastação e a alteração clara dos ecossistemas naturais. No passado, até um bairro na cidade do Rio de Janeiro foi considerado APA. Assim, quando se anuncia que o país possui tantos milhões de hectares em unidades de conservação, aí incluindo as APAs, é enganar a opinião pública”, critica.

Valoração

No quinto artigo, RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) – O que você ganha com isso, João Bosco Carbogim reflete sobre a necessidade de valorar economicamente a natureza, esperando sempre ganhar algo. "Parece que a cabeça das pessoas está programada para buscar vantagens econômicas em qualquer atitude que se tenha perante a natureza, por mais altruísta que possa ser", critica ele, explicando que "na realidade, a decisão de conservar a natureza foge a esse parâmetro por se tratar de uma questão de valores e tem a ver com a percepção que se tem da vida e do que estamos fazendo no planeta Terra".
A grande polêmica da transposição do Rio São Francisco parece ter sido acalmada nos últimos tempos. Mas para a população local as feridas abertas continuam vivas. Segundo o coordenador do Núcleo de Estudos e Articulação do Semiárido (Nessa), João Sussuana, a construção das represas das usinas geradoras diluiu a atividade pesqueira da região.
De acordo com ele, "as espécies de piracema estão desaparecendo do rio devido à impossibilidade que têm os peixes de fazerem o seu trajeto natural de subida das corredeiras para a realização das desovas".
"A população carente nordestina, principalmente aquela residente de forma difusa na região Semiárida, não terá acesso a uma gota sequer da água do Velho Chico. Para nós, é a perpetuação da indústria da seca", lamenta.


Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Unidades de conservação: abrir para preservar


área de conservação 300x224 Unidades de conservação: abrir para preservar
A abertura para a visitação e a ampliação do uso público são, segundo o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Ricardo Vizentin, importantes ferramentas para que a população compreenda o valor das unidades de conservação.
“Aproximar a população é o caminho para uma maior e melhor preservação das unidades de conservação existentes no Brasil”. A afirmação é de Roberto Ricardo Vizentin, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), entidade que possui o desafio de gerir 312 unidades de conservação federais, distribuídas nos seis biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal) e nas zonas costeira e marinha. Estas áreas, segundo ele disse em sua fala durante o VII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), que acontece em Natal (RN), de 24 a 27 de setembro, “precisam ser reposicionadas perante a sociedade”.
De acordo com Vizentin, entre 2003 e 2009, o Brasil foi o responsável pela criação de 74% de todas as unidades de conservação estabelecidas no planeta, porém, o valor dessas áreas não é percebido pela população.
Ele aponta que um novo senso comum, com um entendimento do papel das unidades de conservação, é algo que deve ser construído a muitas mãos. “A força política ambiental como um todo precisa estabelecer um novo pacto, um novo contrato entre a sociedade e a natureza”. Ele destaca que, quando utiliza o termo política ambiental, se refere não só à classe política propriamente dita, como também às organizações não governamentais (ONGs), empresas e todos o que estão dedicados a este objetivo comum. “Precisamos construir, elaborar e comunicar uma nova narrativa sobre o papel destas áreas”, complementa.
O modelo brasileiro de gestão das unidades de conservação é definido por Vizentin como único, porque tem uma lei específica que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que é multifuncional, multiespacial, participativo e com controle social, mas que, conforme ele destaca, precisa ser consolidado. “O SNUC hoje nos dá as ferramentas que precisamos para fazer com que a sociedade abrace as unidades de conservação. Isto só depende da nossa capacidade de trazer a sociedade para dentro destas áreas, estabelecendo uma relação de uso, mas com cuidado e planejamento necessários”, enfatiza.
O presidente do ICMBio explica que existem várias maneiras de estabelecer essa relação. “As reservas extrativistas, por exemplo, abrigam entre 60 e 70 mil famílias. O projeto Brasil Sem Miséria incluiu um benefício, chamado bolsa verde, que essas famílias recebem, na forma de algo semelhante ao pagamento por serviços ambientais, ao se comprometerem a continuar mantendo a área preservada. Esta é uma maneira de valorizar a presença delas”, relata.
A abertura para a visitação também é vista com bons olhos por Vizentin. “Fica difícil explicar qual é a importância de um parque se nem a população do entorno puder perceber quais são os benefícios”, comenta.
Ele finaliza ressaltando que a questão do uso público desses espaços precisa ganhar novas e maiores proporções. “O uso público tem que ser elevado a outra escala, senão nós vamos cada vez mais nos restringir ao interior dessas unidades, imaginando que estamos fazendo o melhor para protegê-las, quando na verdade o caminho seria abrir”. 

Fonte: http://envolverde.com.br

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Obras em Belo Monte e licenças para hidrelétricas no Pantanal estão suspensas



Trabalhadores e engenheiros reunidos na área onde será construída a hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. Foto: Divulgação

A quinta-feira, 23 de agosto, foi um dia de dor de cabeça para as empresas responsáveis por algumas das obras das principais usinas hidrelétricas na região amazônica e no Pantanal. No Pará, a Norte Energia, que responde pela hidrelétrica de Belo Monte, suspendeu os trabalhos por conta de determinação judicial divulgada há uma semana. Já no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a Justiça Federal estabeleceu que as licenças ambientais para usinas na Bacia do Alto Paraguai deixem de ser emitidas.
A Norte Energia informou que está tomando todas as medidas cabíveis a fim de reverter a decisão judicial que determinou a paralisação das obras, para que as atividades suspensas voltem à normalidade com o menor tempo possível.
Em 14 de agosto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) votou pela suspensão imediata das obras de Belo Monte por descumprimento à determinação constitucional que obriga a realização de audiências públicas com as comunidades afetadas.

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Pantanal é rico em biodiversidade. Foto:Rodrigo_Soldon

A Norte Energia classificou a medida como "inadmissível" e disse que a decisão vai trazer “consequências negativas e imprevisíveis” para a matriz energética brasileira, com a necessidade de acionamento de termelétricas a óleo, consideradas mais poluentes e mais caras do que Belo Monte.

Suspensão afeta 126 empreendimentos

No outro caso, a decisão liminar atende a um pedido dos ministérios públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE) em Mato Grosso do Sul, que apresentará uma ação civil pública na 1ª Vara Federal em Coxim (MS) para suspender a instalação de 126 empreendimentos hidrelétricos no entorno do Pantanal.
A decisão judicial determina que os órgãos ambientais licenciadores suspendam todos os processos de licenciamento ambiental em curso e não concedam novas licenças até que a Avaliação Ambiental Estratégica de toda a bacia seja feita. Os empreendimentos hidrelétricos já em funcionamento continuarão operando, mas suas licenças não podem ser renovadas.
Segundo a decisão judicial, existe “prova inequívoca” de que os empreendimentos estão sendo instalados sem a observância das normas protetivas básicas, que inclui o prévio estudo de impacto ambiental em toda a Bacia do Alto Paraguai.


Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org

Reserva Biológica do Parque Equitativa guarda uma das poucas áreas de Mata Atlântica

Uma área de 1,5 milhão de metros quadrados — rica em flora e fauna — compõe o território de Duque de Caxias. É a Reserva Biológica Municipal do Parque Equitativa, em Santa Cruz da Serra, que abriga um dos poucos espaços de Mata Atlântica da Baixada.
— Aqui, encontramos a vegetação nativa dessa mata, ainda na fase primária, ou seja, que não foi desmatada. É uma área que requer muito cuidado e atenção — explica a bióloga Silvana Miranda.
De acordo com ela, no que diz respeito à vegetação, podem ser encontrados jacarandás, cedros, angicos, ipês e embaúbas, entre muitas outras espécies típicas desta vegetação.
Já no caso dos animais, é possível encontrar sagui, tucano, tamanduá-bandeira, tatu, sabiá, entre outros. Além disso, há muitas nascentes no território.
— A importância da reserva não está restrita apenas à beleza natural, é preciso criar a consciência de preservação. Esse espaço é um filtro para a poluição do ar, comporta muitas espécies animais e vegetais, é bastante rico — destaca Silvana.
Apesar de enumerar algumas das espécies, a bióloga conta que ainda não foi realizado um mapeamento preciso da área.
— Já visualizaram, por exemplo, uma onça, mas isso não foi registrado por especialistas — diz.
A reserva tem um comitê gestor, formado pelo poder público, entidades representativas e moradores.

Desequilíbrio na reserva

A Reserva Biológica do Parque Equitativa sofre com a introdução de espécies que não são nativas da Mata Atlântica, como é o caso do mico-estrela.
— Este animal é típico da Região Nordeste, mas foi introduzido aqui. Por não possuir predador natural no local, pode causar desequilíbrio no ecossistema — explica Silvana Miranda.
Outro problema enfrentado é a ocupação indevida pela população. — Atualmente, o espaço é usado por grupos religiosos para orações. No entanto, precisamos cuidar desta área, que deve ser usada apenas para pesquisa, já que trata-se de uma reserva — diz, fazendo algumas ressalvas: — É livre a manifestação religiosa. No entanto, deveria ser visto um novo espaço para a prática. Tanto a flora, quanto a fauna do local devem ser sempre respeitadas e preservadas.
Por conta da riqueza natural, Silvana Miranda diz que algumas pessoas vão à reserva praticar a caça.


Fonte: http://www.olhardireto.com.br

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Confira como está a Mata Atlântica de seu município


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A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram a lista atualizada dos municípios com Mata Atlântica e a porcentagem de remanescentes florestais da área avaliada até 2011.

As informações foram geradas pelo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica e organizadas por Unidade de Federação.
O Bioma Mata Atlântica atinge 17 Estados e o levantamento incluiu, até o momento, áreas de 16 deles (AL, BA, CE, ES, GO, MS, MG, RJ, SP, PB, PE, PR, SC, SE, RN, RS). Ficaram de fora apenas áreas de Mata Atlântica no Piauí, que ainda não foram avaliadas devido à dificuldade na identificação das formações naturais do Bioma nas imagens de satélite. Além disso, para este Estado está sendo aguardado um mapeamento detalhado liderado pelo Ministério do Meio Ambiente.
A iniciativa é um subprojeto do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica e tem o patrocínio do Bradesco Cartões e execução técnica da Acrplan. Acesse os dados.


Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Fim da proteção a rios temporários foi uma decisão desastrosa e irresponsável

rios1 Fim da proteção a rios temporários foi uma decisão desastrosa e irresponsável
A aprovação de emenda à MP do Código Florestal (MP 571/2012) que retira da condição de Área de Preservação Permanente (APP) as margens de cursos d’água temporários foi uma decisão desastrosa e irresponsável, na avaliação dos senadores Jorge Viana (PT-AC) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
– Foi o maior absurdo cometido contra o meio ambiente – disse Jorge Viana, ao explicar que metade dos rios no Brasil são temporários e contribuem para a manutenção dos rios permanentes.
Para Rollemberg, os rios intermitentes tendem a desaparecer, caso se retire a proteção obrigatória de suas margens, o que terá graves impactos negativos sobre o potencial hídrico do país.
– É um tiro no coração da sustentabilidade da agricultura brasileira – alertou Rollemberg.
A emenda foi aprovada na quarta-feira (8) pela comissão mista que analisa a MP. Para os senadores, houve radicalismos e “rolo compressor” da bancada ruralista, que tem maioria na comissão. Para acalmar os ânimos e evitar novas derrotas, o governo preferiu adiar o exame de outras emendas à MP.

Polêmica
Na opinião de Jorge Viana, a mudança na regra para as APPs fere entendimentos anteriores, firmados quando da tramitação, no Congresso, do projeto que deu origem ao novo Código Florestal (PLC 30/2011).
– Não se trata mais de resolver o problema daqueles que desmataram, não se trata de passivo ambiental. Trata-se de desproteger áreas protegidas e já acordadas – diz Viana.
Já Ana Amélia (PP-RS) e Blairo Maggi (PR-MT) atribuem o acirramento de ânimos na comissão a um rompimento de acordo. O foco da polêmica seria a flexibilização de regra para cômputo das Áreas de Preservação Permanente (APPs) no percentual mínimo obrigatório de reserva legal nas regiões de cerrado da Amazônia Legal.
A mudança na regra foi incluída quando da votação do texto base do relator da comissão mista, senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), mas Rollemberg apresentou emenda para retirar a norma, por considerar que, na prática, reduz o mínimo exigido de reserva legal em propriedades localizadas no cerrado da Amazônia Legal.
Na reunião de quarta-feira, Luiz Henrique solicitou mais uma alteração no texto, com repercussão sobre as áreas de cerrado na Amazônia. Ele quer que a exigência de recomposição de APPs nas propriedades nessas áreas, que tenham de quatro a dez módulos fiscais, seja limitada a 25% da área total de imóveis.
Rollemberg discordou dizendo que se tratar de mudança de mérito. Para ele, nos dois casos, a lei estaria sendo modificada para diminuir a proteção já assegurada hoje ao cerrado.
Defensor da flexibilização para o cerrado amazônico, Blairo Maggi argumenta que as mudanças já haviam sido acordadas, não havendo razão para serem questionadas. Rollemberg e Jorge Viana negam que tenha havido acordo nesse sentido.
O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou em Plenário, nesta quarta-feira (9), que não houve concordância para a votação das quatro alterações na Medida Provisória que promoveu ajustes no Código Florestal (MP 571/2012). O senador disse que, embora a bancada ruralista afirme que a votação dos quatro pontos foi acordada anteriormente, ele não foi procurado por ninguém do governo ou da bancada ruralista para qualquer tipo de negociação.
- O que parte da bancada ruralista mais radical está fazendo nesse momento com a MP encaminhada pelo governo é uma completa desfiguração que vai ampliar o desmatamento e colocar em risco a sustentabilidade da própria agricultura brasileira – disse.
A comissão mista que analisa a MP do Código Florestal votou, na quarta-feira (8), emendas apresentadas pelos parlamentares. Foram aprovadas quatro alterações no texto original da MP: a primeira suprime o conceito de área abandonada; a segunda modifica o conceito de pousio; a terceira acrescenta a definição de crédito de carbono ao novo código; e a quarta, e mais polêmica mudança, retira da condição de Área de Preservação Permanente (APP) as margens de cursos d’água temporários.
Rollemberg classificou as votações de quarta-feira como “desastrosas” para o futuro do país. Ele citou o caso dos rios intermitentes, frisando que precisam de proteção obrigatória em suas margens, dada a sua fragilidade.
- A decisão tomada ontem [quarta-feira], no meu entendimento, demonstra uma completa insensatez e falta de compromisso inclusive com os rumos que vinham sendo discutidos do Código Florestal – afirmou o senador.
Fonte: http://envolverde.com.br

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Rio Amazonas é reconhecido como uma das maravilhas naturais do mundo


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O rio nasce no Peru e deságua no Brasil. Foto: Rodrigo_Soldon
O rio Amazonas foi reconhecido como uma das Sete Maravilhas do Mundo pelo governo regional de Loreto, no Peru, na segunda-feira, 13 de agosto. Os moradores das sete cidades localizadas na região por onde o rio passa puderam assistir a solenidade através de telões.
O rio, que nasce no Apurímac, na Cordilheira dos Andes, no Sul do Peru, e deságua no Tocantins, no Norte do Brasil, é o segundo maior em extensão do mundo, atrás apenas do rio Nilo. A Bacia do rio Amazonas tem mais de sete milhões de quilômetros quadrados de área.
O governador de Loreto, no Peru, Yvan Vasquez Valera, afirmou que o objetivo é que todos da região participem da solenidade. "As atividades serão realizadas em todas as cidades da província. Cada capital, ao mesmo tempo, irá desenvolver vários eventos, mobilizar os estudantes e a população em geral", destacou à Agência Brasil.
Na capital de Loreto, Iquitos, haverá um city tour nas principais áreas turísticas. Na prefeitura do local será descerrada uma placa de bronze com a certificação oficial do Rio Amazonas como uma das maravilhas naturais do mundo. Para as autoridades peruanas, o reconhecimento representa o respeito pela riqueza em biodiversidade que abriga a Amazônia.
O prêmio é compartilhado com a Bolívia, o Brasil, Equador, Suriname, a Colômbia, Venezuela, Guiana e Guiana Francesa, países nos quais o Rio Amazonas está presente.
A seleção das sete maravilhas naturais do mundo (New 7 Wonders of Nature)  é realizada anualmente, por meio de uma votação global. A iniciativa começou em 2009 com o canadense-suíço Bernard Weber.

Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Nova legislação dará base científica à prevenção de desastres naturais, dizem especialistas

lei Nova legislação dará base científica à prevenção de desastres naturais, dizem especialistasEm janeiro de 2011, enchentes e deslizamentos deixaram cerca de mil mortos e 500 desaparecidos na Região Serrana do Rio de Janeiro. A tragédia evidenciou a precariedade dos sistemas de alerta no Brasil e foi considerada por especialistas como a prova definitiva de que era preciso investir na prevenção de desastres.
O mais importante desdobramento dessa análise foi a Lei 12.601, sancionada em abril, que estabelece a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil e cria o sistema de informações e monitoramento de desastres, de acordo com especialistas reunidos no seminário “Caminhos da política nacional de defesa de áreas de risco”, realizado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) no dia 6 de agosto.
A nova lei obriga as prefeituras a investir em planejamento urbano na prevenção de desastres do tipo enchentes e deslizamentos de terra. Segundo os especialistas, pela primeira vez a prevenção de desastres poderá ser feita com fundamento técnico e científico sólido, já que a lei determina que, para fazer o planejamento, todas as prefeituras precisarão elaborar cartas geotécnicas dos municípios.
Katia Canil, pesquisadora do Laboratório de Riscos Ambientais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), disse que as prefeituras terão dois anos para elaborar as cartas geotécnicas para lastrear seus planos diretores, que deverão contemplar ações de prevenção e mitigação de desastres. Os municípios que não apresentarem esse planejamento não receberão recursos federais para obras de prevenção e mitigação.
“As cartas geotécnicas são documentos cartográficos que reúnem informações sobre as características geológicas e geomorfológicas dos municípios, identificando riscos geológicos e facilitando a criação de regras para a ocupação urbana. Com a obrigatoriedade desse instrumento, expressa na lei, poderemos ter estratégias de prevenção de desastres traçadas com base no conhecimento técnico e científico”, disse Canil à Agência Fapesp.
A primeira carta geotécnica do Brasil foi feita em 1979, no município de Santos (SP), mas, ainda assim, o instrumento se manteve pouco difundido no país. Segundo Canil, a institucionalização da ferramenta será um fator importante para a adequação dos planos diretores em relação às características geotécnicas dos terrenos.
“Poucos municípios têm carta geotécnica, porque não era um instrumento obrigatório. Agora, esse panorama deve mudar. Mas a legislação irá gerar uma grande demanda de especialistas em diversas áreas, porque as cartas geotécnicas integram uma gama de dados interdisciplinares”, disse a pesquisadora do IPT.
As cartas geotécnicas reúnem documentos que resultam de levantamentos geológicos e geotécnicos de campo, além de análises laboratoriais, com o objetivo de sintetizar todo o conhecimento disponível sobre o meio físico e sua relação com os processos geológicos e humanos presentes no local. “E tudo isso precisa ser expresso em uma linguagem adequada para que os gestores compreendam”, disse Canil.
As cidades terão que se organizar para elaborar cartas geotécnicas e a capacitação técnica necessária não é trivial. “Não se trata apenas de cruzar mapas. É preciso ter experiência aliada ao treinamento em áreas como geologia, engenharia, engenharia geotécnica, cartografia, geografia, arquitetura e urbanismo”, disse Canil. O IPT já oferece um curso de capacitação para elaboração de cartas geotécnicas.
Uma dificuldade importante para a elaboração das cartas será a carência de mapeamento geológico de base nos municípios brasileiros. “A maior parte dos municípios não tem dados primários, como mapeamentos geomorfológicos, pedológicos e geológicos”, disse Canil.
Plano nacional de prevenção
A tragédia da Região Serrana fluminense, em janeiro de 2011, foi um marco que mudou o rumo das discussões sobre desastres, destacando definitivamente o papel central da prevenção, segundo Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
“Aquele episódio foi um solavanco que chacoalhou a percepção brasileira para o tema dos grandes desastres. Tornou-se óbvio para os gestores e para a população que é preciso enfatizar o eixo da prevenção. Foi um marco que mudou nossa perspectiva para sempre: prevenção é fundamental”, disse durante o evento.
Segundo Nobre, que também é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro da coordenação do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, a experiência internacional mostra que a prevenção pode reduzir em até 90% o número de vítimas fatais em desastres naturais, além de diminuir em cerca de 35% os danos materiais. “Além de poupar vidas, a economia com os prejuízos materiais já compensa com sobras todos os investimentos em prevenção”, disse.
De acordo com Nobre, a engenharia terá um papel cada vez mais importante na prevenção, à medida que os desastres naturais se tornarem mais extremos por consequência das mudanças climáticas.
“O engenheiro do século 21 precisará ser treinado para a engenharia da sustentabilidade – um campo transversal da engenharia que ganhará cada vez mais espaço. A engenharia, se bem conduzida, é central para solucionar alguns dos principais problemas da atualidade”, afirmou.
Segundo Nobre, além da nova legislação, que obrigará o planejamento com base em cartas geotécnicas dos municípios, o Brasil conta com diversas iniciativas na área de prevenção de desastres. Uma delas será anunciada nesta quarta-feira (08/08): o Plano Nacional de Prevenção a Desastres Naturais, que enfatiza as obras voltadas para a instalação de sistemas de alerta.
“Há obras de grande escala necessárias no Brasil, especialmente no que se refere aos sistemas de alerta. Um dos elementos importantes do novo plano é a questão do alerta precoce. Experiências internacionais mostram que um alerta feito até duas horas antes de um deslizamento é capaz de salvar vidas”, disse.
Segundo Nobre, as iniciativas do plano serão coerentes com a nova legislação. O governo federal deverá investir R$ 4,6 bilhões, nos próximos meses, em iniciativas de prevenção de desastres nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina.
Mas, para pleitear verbas federais, o município deverá cumprir uma série de requisitos, como incorporar as ações de proteção e defesa civil no planejamento municipal, identificar e mapear as áreas de risco de desastres naturais, impedir novas ocupações e vistoriar edificações nessas áreas.
Segundo Nobre, outra ação voltada para a prevenção de desastres foi a implantação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do MCTI, que começou a operar em dezembro de 2011, no campus do Inpe em Cachoeira Paulista (SP).
“Esse centro já tinha um papel importante na previsão de tempo, mas foi reformulado e contratou 35 profissionais. O Cemaden nasce como um emblema dos novos sistemas de alerta: uma concepção que une geólogos, meteorólogos e especialistas em desastres naturais para identificar vulnerabilidades, algo raro no mundo”, afirmou.
Segundo ele, essa nova estrutura já tem um sistema de alertas em funcionamento. “É um sistema que ainda vai precisar ser avaliado com o tempo. Mas até agora, desde dezembro de 2011, já foram lançados mais de 100 alertas. O país levará vários anos para reduzir as fatalidades como os países que têm bons sistemas de prevenção. Mas estamos no caminho certo”, disse Nobre.
Fonte: http://envolverde.com.br

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