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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

CHARCOS - O que é um charco?


O que é um charco?

Os charcos são massas de água parada ou de corrente muito reduzida, de carácter permanente ou temporário, de tamanho superior a uma poça (pequena massa de água efémera, que normalmente é possível atravessar com um só passo) e inferior a um lago (massa de água com mais de 1 hectare (ha.) de superfície e uma profundidade que permite a sua estratificação). A duração dos charcos pode ser muito variável consoante o clima e a geologia do local, mas para os objectivos deste projecto considera-se que deverão ter uma duração mínima de quatro meses.
Não existe uma definição universal sobre o termo charco, uma vez que em cada país, e mesmo dentro do mesmo país, as definições podem variar (por exemplo, no Reino Unido consideram-se como charcos massas de água até 2 ha.).
Os charcos diferenciam-se dos lagos e das lagoas pela sua baixa profundidade, penetração total da luz na água, possibilidade de ocorrência de plantas em toda a sua área e ausência de estratificação da temperatura da água e de formação de ondas.
Os lagos são massas de água de dimensões muito maiores e permanentes. Actualmente, não se formam lagos novos, dado que, os lagos existentes hoje em dia foram formados por fenómenos geológicos que ocorreram há muito tempo atrás.
Os charcos podem ser formados através de processos naturais, geológicos ou ecológicos, ou, mais vulgarmente, como resultado de actividades humanas, intencionais ou não. Estas depressões no terreno formam charcos quando conseguem reter uma quantidade suficiente de água da chuva ou proveniente de lençóis freáticos próximos da superfície.
Muitas plantas e animais evoluíram desde há milhões de anos no sentido de se adaptarem às condições de sobrevivência particulares dos charcos, sendo actualmente dependentes deste tipo de habitat para a sua sobrevivência.
Os charcos são ecossistemas frágeis e instáveis, uma vez que, devido às suas reduzidas dimensões e volume de água, pequenas alterações do meio ou do regime de chuvas podem originar grandes flutuações ou mudanças ecológicas.
Os charcos podem apresentar níveis de biodiversidade muito superiores quando comparados com grandes massas de água, como lagos e lagoas, podendo mesmo considerar-se hotspots de biodiversidade em termos locais.
Globalmente existem aproximadamente 300 milhões de massas de água de dimensões até 10 hectares, contra cerca de 5 milhões de lagos.

Charcos temporários mediterrânicos

Os Charcos Temporários Mediterrânicos são charcos de regiões quentes, nos quais existe uma alternância anual entre uma fase seca (nos meses mais áridos) e uma fase inundada (nos meses com maior pluviosidade).
As comunidades biológicas destes habitats desenvolveram estratégias adaptativas extremas à alternância entre períodos secos e alagados, tais como formas de resistência à seca ou a capacidade eficaz de migração para outros locais. Como resultado, as espécies presentes apresentam características únicas e são frequentemente raras ou exclusivas destes meios.
Por exemplo, a vegetação colonizadora de charcos temporários mediterrânicos tem uma composição florística muito particular, dominada principalmente por plantas anuais e herbáceas perenes que aparecem durante o Inverno e Primavera e que produzem um grande número de sementes que sobrevive aos períodos de seca. Muitas espécies de micro e macro-crustários produzem ovos de dormência com uma casca dura capaz de resistir no fundo do charco seco durante todo o Verão.
Devido à sua fragilidade, singularidade e riqueza ecológica, os charcos temporários mediterrânicos estão inscritos no Anexo I da Directiva Habitats como habitats prioritários em termos de conservação (habitat 3170), o que proíbe por lei a sua destruição e exige a designação de Zonas Especiais de Conservação (ZEC) para garantir a sua preservação. Apesar disso, a realidade mostra uma regressão generalizada destes habitats em toda a bacia mediterrânica.

Estrutura de um charco

Estrutura de um Charco
Figura 1. Representação da estrutura de um charco (em corte transversal).
Zona de alagamento – O nível de água dos charcos está sujeito a variações frequentes e de grande intensidade. Em invernos chuvosos, o nível da água pode subir bem acima da sua margem normal, provocando o alagamento da área circundante. Esta zona alagada é caracterizada por ter ervas anuais, que nascem após baixar o nível da água, e suportam tanto o alagamento invernal como a secura do verão, mas está geralmente desprovida de plantas que não aguentam bem o encharcamento prolongado, como os pinheiros ou os sobreiros.
Margens – A margem de um charco é definida pelo limite entre a terra firme e a área inundada do charco. Embora a margem se desloque de acordo com as variações do nível da água, é nesta zona de interface onde ocorre a maioria das plantas emergentes. A inclinação da margem é uma característica determinante para a biodiversidade do charco, sendo tanto mais rica quanto menor a sua inclinação. As margens com inclinação suave facilitam também de entrada e saída de animais no charco.
Zona de água pouco profunda – A maioria das espécies presentes em charcos vive em zonas onde a água tem frequentemente menos de 10 cm de profundidade. Estas zonas podem ser favorecidas pela existência de margens de declive suave e irregularidade da topografia do fundo do charco.
Zona de água profunda – Esta é a zona mais profunda e alagada durante mais tempo do charco, sendo a zona onde se encontram mais plantas subaquáticas. Geralmente pensa-se que as áreas de água profunda são uma componente essencial para o sucesso da vida selvagem do charco. No entanto, esta zona de água profunda é um habitat especializado e tem uma biodiversidade reduzida
Fundo de charco (bentos) – O fundo do charco é muito importante porque alberga uma grande variedade de microrganismos, invertebrados e plantas, servindo também de lugar de postura para diversas espécies. Em charcos temporários é onde se encontram, durante a época seca, as formas de resistência dos organismos adaptados a este tipo de charco, que só eclodirão quando o charco encher de novo. A remoção do fundo dos charcos, mesmo dos permanentes, é altamente desaconselhada.

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